Seu jeitinho rebelde.
(Por Léo Jaime)
Estou pensando em lhe dizer estas coisas há algum tempo. Não acredito que lhe sirva de nada, mas talvez faça algum bem a mim mesmo. Por isso decidi.
Tenho observado ao longo do tempo que suas posições são sempre contestatórias, sempre duvidando de tudo e de todos. É interessante. Não é aquele que engole qualquer coisa. Ao contrário, não engole nada. Não vai a filmes americano, não ouve música de artista vendido, quer dizer, que vende, não acredita em políticos que não sejam radicais e desconfia de quase tudo o que ouve. É bacana: o mundo parece lhe dever explicações.
Vejo o seu olhar de superioridade para com as meninas arrumadas para sair, como se as julgando fúteis, o mesmo que você lança para os que defendem argumentos, sejam lá quais forem, ou torcem para a seleção brasileira, ou gostam de filmes, peças, shows e discos que fazem sucesso, ou fazem programas que estão na moda. Como lhe parece entediante o mundo e seus cidadãos. Achincalhar argumentos é tão mais divertido! Mostrar o podre do mundo, dos projetos e das pessoas é tão mais sagaz, não é? Corajoso? Charmoso? Humm, não sei. Deixamos isso para depois. Vamos continuar ainda nas suas opções.
Atitude. Esse é o nome que está por trás de tudo o que lhe sustenta. Você aposta todas as fichas nisso. Alguém vai lhe perguntar as horas e seu impulso primitivo é dizer não. Não quer dizer as horas. Não é obrigado. Quer se livrar da obrigação de ser gentil e ter que ficar atendendo os outros. E se não age assim, pelo menos pensa nisso. Consultando limites para a própria rebeldia. Sim. Ser do contra implica em ser antipático, chato, ter uma nuvem cinza sobre a cabeça o tempo todo e você sabe disso. Por exemplo: quando alguém dirige você vai criticando o caminho que a pessoa faz. Não se deve fazer isso sem oferecer um outro caminho e justificar. Sim, é importante dizer o porquê de o outro caminho ser melhor. Isso vale para política e afins. E se você não faz assim você é só um chato. Observe a oportunidade da réplica e de que pode não haver concordância, pelo menos de imediato. Ou nunca.
Dizer um não, simples e rotundo, ao mundo e à vida, pode parecer charmoso e lhe conferir um ar de sofisticação. De quem não se contenta com qualquer coisa. Sim, é verdade. Só que quem não se contenta com nada está fadado ao insucesso. Ser infeliz de propósito, ser um perdedor por iniciativa própria é antes de tudo uma demonstração de total covardia. Por tanto, se você imaginava que a pose de rebelde contra tudo e todos ia lhe conferir um ar de coragem, esqueça: esta é a solução dos covardes. Não apostar em nenhum dos cavalos da corrida e meter o pau em todos não dá crédito para ninguém se gabar do próprio azedume depois. É preciso ter um projeto, seja lá qual for, e acreditar em alguma coisa e lutar por ela.
É preciso ter algum senso de estética para se construir um sonho. E colorir este sonho. E depois tentar fazer deste sonho algo real. E não importa se muitos vão acreditar nele ou achá-lo interessante. Mas é preciso amar alguma coisa ou alguém para se poder dizer dono de alguma postura, ou atitude. Odiar não é uma postura corajosa. E era isso o que eu tinha para lhe dizer: odiar é muito confortável e lhe parece a solução para todo o que você não entende e não sabe como lidar. Você odeia tudo o que não entende. E você não entende quase nada porque odeia tudo.
Tome uma atitude.
Não costumo publicar textos de pessoas famosas, mas Léo Jaime nem é mais tão famoso assim…
E confesso que virei sua fã agora.
Vale lembrar que as eleições estão chegando.