Inválido conto de fadas
Estava ali na praia, eu e minha sombra, que de tão eu parecia invisível. Era tarde, luzes piscavam no horizonte e a minha volta via castelos de areia construídos pelas mãos mais delicadas. Minha vida que foi sempre tão real, tão fria, ali encontrava o sentido que há tempos procurava.
Um velhinho, que me olhava de longe, resolveu se aproximar. Sem dar uma palavra, me abriu o sorriso mais sincero e desdentado que eu já havia visto, e me mandou tentar. Expliquei que dentro de mim a única coisa viva era o rancor. Ele, com compaixão, murmurou que eu cometia um engano e que eu tinha uma alma piedosa.
Resolvi começar a construir o meu castelo, desesperançada de que dali pudesse sair algo ingênuo, voltar a infância era algo pleno demais para mim. Surpreendentemente, o meu castelo foi o mais bonito, ali habitavam as mais belas pessoas respirando felicidade. Inventei uma história qualquer onde todo mundo vive feliz pra sempre e fica grávida.
Olhei para o lado e já muito longe avistei o velhinho, corcunda e com andar cansado, a caminho do forte. No relógio marcava 20 para as 11, resolvi voltar para casa. Andava pela rua me sentindo leve, por pouco não dei boa noite pro vigia tarado. Cheguei na cozinha, fiz um bolo de chocolate e assisti desenho animado, dormi na cama dos meus pais, no meio dos dois para não sentir medo. Levantei cedo, botei meu vestido florido e fui à feira comprar frutas. Na volta vejo um tumulto, ambulância, falação. Permiti me aproximar. Chegando lá não acreditava no que via, estirado no chão e já sem vida, ele, o velhinho que me ensinou a voltar a viver.
Junto dele se foi a fantasia, a inocência e os sonhos que por alguns minutos habitaram meu peito.
ui, cheguei a me arrepiar.
sacanagem vc matar o velhinho…iuhiauha