Feliz dia comum
E hoje, cercada de problemas, recortes de jornal, telefones, dúvidas e multas de trânsito, eu estava feliz. Era tudo tão normal, de pessoas normais, de fatos e relatos prováveis e vivenciáveis, ainda que confusos, mas completamente ordinários, comuns a qualquer pessoa.
O normal nunca me confortou tanto. Por um instante cheguei a pensar em casar, ter filhos e morar numa casinha de telhado vermelho e cerquinhas brancas. Não mais consigo ver graça em ser diferente e moderninha, ter idéias brilhantes e inúteis que só servem para entupir minha cabeça de lixo filosofal. Tudo que eu quero agora é entrar no meu carro limpinho, ter os documentos em dia, o tanque cheio e minha cabeça completamente vazia. Pegar meu diploma e pendurá-lo na parede entre telas borradas e teias de aranha.
Chegar em casa no final de um dia entediante, ver minha cadela extremamente feliz com a minha presença depois de um dia inteirinho sem fazer absolutamente nada num quintal de alguns metros quadrados de grama e árvore. Como pude ser capaz de me achar infeliz enquanto por um momento fui a própria felicidade nos olhos daquela cadela que me esperava dentro de um quintal tão chato? Minha vontade era entrar e sair cinqüenta vezes só para presenciar novamente aquele rabinho sorridente balançando exclusivamente para mim. E por fim, eu, aquele rabinho e um dicionário, cheio de palavras e significados, traduzindo a felicidade que encontrei onde ninguém costumava procurar.
Helena, confesso que já sabia que você escrevia bem. Sabe como o Orkut nos incrimina, não é? Ele é um perigo! Mas felizmente, nos dá a oportunidade de conhecermos mais da pessoa em si, e não do papel que ela representa no dia-a-dia.
Eu acho isso incrível. Dizem que a Internet é virtual, mas eu a vejo como real. O que nós somos além de um conjunto de idéias? Algumas bem aproveitadas, outras nem tanto.
Não entendo como as pessoas podem levar a vida sem se questionarem um único dia sobre o propósito de estar aqui, neste momento, fazendo parte desta incrível história chamada Vida.
Dizem que o segredo da felicidade está na ignorância. Essa frase tem o seu valor.
Ir levando a vida, como as pessoas dizem “intensamente”, é um ótimo argumento para nos livrarmos do tal lixo filosófico que acumulamos ao longo de nossa vida.
Ele serve pra que? Pra nada? Por mais que nos questionemos, estaremos sempre caminhando em círculos. A cada nova resposta surgem mais outras dez perguntas.
Você não acha que, quem sabe, podemos ser a tal cadelinha, que nos abana o rabo quando chegamos a casa? A grande diferença é que nós temos uma enorme Terra como quintal.
Às vezes sinto que existem milhares de personagens dentro de mim. Mas sinceramente? Eu amo este Raphael, que senta de frente ao computador, e fica muito feliz com o simples fato de estar exteriorizando o lixo filosófico.
Espero que possamos manter um diálogo filosófico.
Fiquei muito feliz mesmo em ler o seu Blog. É bom saber que não estou sozinho.
Um beijo e fique com Deus!