Respire azul, Cristina.
Cristina abriu os olhos e diante dela avistou um relógio que marcava o tempo perdido. Respirou a poeira dos cantos dos móveis antigos e dirigiu-se para o beco onde havia deixado seus pés. Tudo estava como antes, nenhuma luz laranja conseguira iluminar a sombra do beco sem saída. Nenhuma pétala branca conseguira apagar a os arranhões profundos. Nenhum azul conseguira aliviar o peso dos pulmões imundos.
Pare Cristina. Tente enxergar como sua vida é boa. Tente olhar para as pessoas chatas que lhe amam. Repita o clichê idiota que nada acontece por acaso trinta vezes antes de dormir. Admita Cristina, você tem uma vida perfeita. Você tem uma família, duas pernas, dois braços, dois olhos, um nariz e uma boca que não fala. Abandone suas vidas passadas que lhe atormentam e sufocam a alma. Abandone Cristina. Olhe para frente. Olhe para a sua volta e veja quanta gente é feliz com um terço do que você tem. Repare bem Cristina. Pare de olhar o relógio. Pare Cristina. Descruze os braços. Respire azul Cristina. Respire azul.