Mais que uma calça de chinelos
Ele chegou com umas de suas bermudas e de longe me ofereceu um sorriso que guardei atrás da orelha desconfiada. Toda vez, apertada para dizer que o amava sem qualquer motivo, ele me aparecia com outro sorriso daquele que desconsertava minha pose auto-afirmada. Nas noites perdidas, que eu oferecia minha falta de amor aos rapazes em troca de dores morais, ele chegava de calça e chinelo e fazia todo o resto do mundo ficar invisível com seus olhos tarados de mel, embolando minhas certezas na confusão de mãos e cabelos sinceros. Sobravam-me apenas os restos de mim, iludidos por algo além do esperado, mas que esperei a vida toda, desde que eu brincava de boneca na casinha rosa. Era muito para tão pouco, puro e lindo para tanta imundice e vulgaridade. Eu estava amando a impossibilidade de amar quando comecei a amar você.
Mas a vida, a noite e os dias continuavam iguais, com o mesmo cheiro de cigarro no cabelo e os mesmos homens idiotas olhando para bundas e peitos. Eu era coisa demais para ser resumida ao que me julgavam, eu era amor demais para viver só de sexo. Eu estava cansada dos mesmos papos, dos mesmos cheiros, das mesmas vozes, dos mesmos erros, das mesmas gírias, dos mesmos lugares. Eu estava cansada de procurar você e lhe achar amando nomes diferentes do meu.
Atravesso a rua sozinha, entro num coração qualquer como uma refugiada e escrevo sentimentos para tentar aliviar a dor de tanto amor aprisionado. Porque eu não agüentava olhar para alguém que não tinha a sua cara, que não tinha o seu sorriso, e não sentir as mesmas coisas que eu sentia quando via você passar. Porque eu não agüentava fingir a sua insignificância enquanto nada mais fazia sentido com possibilidade da sua presença. Porque eu não sei lutar por nós dois depois de tanto acreditar no nosso esquecimento. Porque eu quero me curar desse amor imenso, tão grande que quase não faz sentido, tão grande que me deixa mínima, mas que não me deixa mais.
Mas a vida, a noite e os dias continuavam iguais, com o mesmo cheiro de cigarro no cabelo e os mesmos homens idiotas olhando para bundas e peitos. Eu era coisa demais para ser resumida ao que me julgavam, eu era amor demais para viver só de sexo. Eu estava cansada dos mesmos papos, dos mesmos cheiros, das mesmas vozes, dos mesmos erros, das mesmas gírias, dos mesmos lugares. Eu estava cansada de procurar você e lhe achar amando nomes diferentes do meu.
Atravesso a rua sozinha, entro num coração qualquer como uma refugiada e escrevo sentimentos para tentar aliviar a dor de tanto amor aprisionado. Porque eu não agüentava olhar para alguém que não tinha a sua cara, que não tinha o seu sorriso, e não sentir as mesmas coisas que eu sentia quando via você passar. Porque eu não agüentava fingir a sua insignificância enquanto nada mais fazia sentido com possibilidade da sua presença. Porque eu não sei lutar por nós dois depois de tanto acreditar no nosso esquecimento. Porque eu quero me curar desse amor imenso, tão grande que quase não faz sentido, tão grande que me deixa mínima, mas que não me deixa mais.
Posted by in 23:52:47
sensacional!!!
estava devaneando sensações parecidas ainda agora, mas cheguei num final diferente.
ótimo texto!! adorei!
Porra. Me arrepiei quando li a última parte… Isso foi ótimo.