Um desabafo emputecido
Ei, quem você pensa que é? Depois de tanto tempo seu rosto ressurge das minhas lembranças e toma conta dos meus pensamentos. Muito confuso. Ei, quem você acha que eu sou? Para chegar tomando conta das últimas chamadas atendidas do meu celular, me fazer ter menos horas de sono e me emputecer com essa risada escandalosa?
Você tinha mesmo que aparecer com aquela bermuda escrota e o dom de saber me irritar? Eu tô puta, tô puta mesmo! E pra piorar a situação você aparece totalmente diferente, pegando o papel do canalha e me deixando o de mocinha. Como assim? Eu sempre fui a escrota da situação, quero meu papel de volta! Sofrer sem motivo é chato, é brega e cansa. Eu gosto mesmo é de sofrer sabendo que a culpa foi minha, que eu escolhi aquilo e que, melhor ainda, você está sofrendo também.
Você era legalzinho demais, bonzinho demais, certinho demais.. e isso, querido, enjoa! Tá, eu sei que você não vai entender, mas saber sempre onde você está, receber sempre suas ligações nos mesmos horários, saber que você vai atender a todos os meus pedidos é óbvio demais. E entenda uma coisa, tudo que é óbvio não tem graça. Para um relacionamento dar certo, além do amor, tem que ter emoção, por isso que relacionamentos monótonos acabam com porradaria, chifre e fotos rasgasdas.
Mas maldito destino, que escolhe a pior hora para pôr as pessoas no nosso caminho. Logo agora, que eu me encontrava tão rodeada de debilóides, precisando tanto de uma pessoa como você para me trazer qualquer coisa que pedisse, assistir qualquer filme que eu quisesse, rir de qualquer idiotice que eu contasse, e ter papos inteligentes, você aparece. Você que não é você. Fantasiado de José Mayer, cheio das sinceridades, das mentiras e das canalhices.
E agora, hein? Você quer fazer o favor de voltar a ser o meu futuro marido e deixar essa idéia de comedor de lado? Eu prometo que não vou aprontar mais e vou me comportar de hoje em diante. Quer continuar com a babaquice? Então você é que se foda, meu bem.
Aproveite sua vidinha medíocre, beije todas as bocas que tiver que beijar, coma quem tiver que comer (e quem não tiver também), mas nunca, em momento algum, se arrependa. Porque como você mesmo diz, eu me “desligo” muito rápido.