Flores e desamores
E os olhos se encheram de lágrima, de medos e traumas. Na varanda, passos e vozes a fazem abrir os olhos e enxergar um feixe de luz pela cortina entreaberta. Um rosto estranho então se fez nítido e sorriu com dentes perfeitos. Ele era lindo, mas ele, infelizmente, não era ele.
Apagou as luzes e a fez esquecer do dono da sua alma. O desinteresse inicial tornou-se uma fuga, uma esquina a mais, uma rua desconhecida sem saída, sem sinal. O pensamento se fez distante e às vezes se perdia por mais de dois ou três segundos. E cada acaso em que suas mãos se encontravam, a lembrava que, apesar da mão grande e pesada, ele não era ele.
Ela ouve música eletrônica num quarto em silêncio, como quem se esforça para enxergar o que existe além do horizonte azul e rosa. Procura a curva das linhas paralelas de corpos sem desejo, como quem anda solitária por ruas escuras e sem esquinas. Ela se suja e se lava de suor e nojo e desvia o olhar para o chão, como quem procura uma saída onde não há saída. E se despede com desprezo e pena das flores que não estavam mais lá, mas que ainda exalavam vontade e desejo.
Oi,
Poucas palavras, muita sensibilidade. Gosto disso! Bjs