Thursday, January 4, 2007

m-Eu

É difícil ser Eu.

Ele cada vez consome menos sua pobre alma, que às vezes dá uma escapulida porque não agüenta mais ser economizada. Dói demais desperdiçar tantos dias e se poupar de fazer parte de tantas histórias.

Eu se alimenta de vidas, mas só a carne, porque a alma engorda e Eu não quer deixar de ser vazio. Ele vai ao cinema sozinho, ele não sabe andar de mãos dadas, ele se esqueceu do que é ter azia psicológica.

Pobre Eu. Tão pobre que finge estar feliz, finge não sentir dor, finge não enxergar o que acontece ao seu redor. Eu planeja seu assassinato, mas fracassa, pois para isso precisaria de um cúmplice.

Eu se confunde com Nada. E chora, porque tudo isso faz muito sentido.

Eu decidiu suicidar-se num abraço de asfixiar, mas não.. nós sabemos, volta e meia Eu está de volta. Pois maior que o desejo de sua morte, é o buraco infinito que ele cava no m-Eu.

Posted by ESCLEROSES in 04:00:48
Comments

2 Responses

  1. sei lá qual de nós says:

    EU não existe sem os outros. E nos outros se alimenta por não se aguentar em mim. Mas se EU quiser, se M-Eu deixar, mim sai por esta porta e cavo no S-Eu o M-Eu lugar.

  2. Um em alguns. says:

    Lá vem você. Repleta de palavras obscuras, ambíguas, bem escritas e desafiadoras.
    Por que não diz logo: Eu te amo, e pronto?
    Por que estender-se em frases complicadas, palavras desajustadas, que ao fim levam o único leitor a inexorável conclusão: O Eu quer ser Você.
    O Eu não vive sem Você.
    Talvez Eu e Você nos confundimos na mesma frase; na mesma palavra ou até mesmo nos longos beijos os quais juramos um amor barato, repleto de poesias como “Que seja eterno enquanto dure”.
    Quanto amor barato. Feita de poesias emprestadas de outras paixões e de presentes comprados a esmo, na primeira vitrine que vi pela frente.
    O Eu agora está aqui, sendo Eu. As poesias se vão, assim como os poetas morrem; mas a paixão, alicerce do amor, permanece oculta no tempo, à espera de um amor que deixou de acontecer, de um Eu ideal que deixou de existir. Pare de procurar a perfeição e entenda que defeitos são inerentes a todas as pessoas. Como sempre digo: como você será capaz de pedir perdão, se algum dia não foi capaz de aceitá-lo?
    Quanto ao suicídio por asfixia, eu bem que tentei; mas descobri algo incrível: Que eu estaria tirando a minha vida pelo simples prazer de ver a sua arruinada.

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