Thursday, May 10, 2007

A carta

Talvez essa não seja a melhor e mais emocionante carta escrita, mas certamente é a mais sincera. Talvez ela não te arranque suspiros, mas será que realmente algum dia eu já os arranquei de você? É, essa carta é pra você! E entrego-lhe assim, sem formato, para igualá-la ao que você sempre sentiu por mim. Eu já não vou mais tomar essas linhas com declarações em vão ou promessas de mão única, decidi poupar-me. Muito menos falarei aqui sobre os seus erros e o que deve mudar, pois estes te surtem o mesmo efeito do grito da sua mãe ao mandar-te tomar banho quando era criança. É, eu tô aqui pra dizer Adeus. Um Adeus seco e magoado, marcado por tantas tentativas frustradas e tantas esperanças de um futuro bom. Jamais me permitirei chegar ao ridículo, não derramarei mais uma lágrima sequer, não deixarei nenhuma lembrança tomar conta dos meus pensamentos. Despeço-me agora do sempre que nunca existiu. E para não sentir dor vou seguir sem olhar para trás, e jurar  acreditar que nós não fomos feitos um para o outro. Vou continuar buscando saídas e respostas, pois toda essa confusão ainda é melhor do que a dolorida plenitude da verdade. Vou acreditar nas minhas mentiras, com a mesma facilidade da qual acreditei nas suas.

Para não sentir dor, Adeus.


Posted by ESCLEROSES at 16:27:55 | Permalink | Comments (6)

Gelado

       Não falemos de amor com rochas de gelo. Que derretam no frio, no imaginar de um dia de sol desperdiçado. Pena é que tenhas de demorar tanto aí, tanto tempo, no tempo que passou. Mas, se alguma esperança pode haver, que permaneça no frio, sob os cuidados do vento, gelado, como sempre, receoso, permaneceu. Que são os minutos, os dias e os meses dos anos que amei em silêncio, como rocha de gelo? São nada além de tardes solitárias dentro de mim. Mas, como o inverno, é certo que um dia acabe, ainda que volte mais forte no ano seguinte. E sempre volta, por nunca deixá-lo ir completamente.

Posted by ESCLEROSES at 03:05:19 | Permalink | No Comments »