A carta
Talvez essa não seja a melhor e mais emocionante carta escrita, mas certamente é a mais sincera. Talvez ela não te arranque suspiros, mas será que realmente algum dia eu já os arranquei de você? É, essa carta é pra você! E entrego-lhe assim, sem formato, para igualá-la ao que você sempre sentiu por mim. Eu já não vou mais tomar essas linhas com declarações em vão ou promessas de mão única, decidi poupar-me. Muito menos falarei aqui sobre os seus erros e o que deve mudar, pois estes te surtem o mesmo efeito do grito da sua mãe ao mandar-te tomar banho quando era criança. É, eu tô aqui pra dizer Adeus. Um Adeus seco e magoado, marcado por tantas tentativas frustradas e tantas esperanças de um futuro bom. Jamais me permitirei chegar ao ridículo, não derramarei mais uma lágrima sequer, não deixarei nenhuma lembrança tomar conta dos meus pensamentos. Despeço-me agora do sempre que nunca existiu. E para não sentir dor vou seguir sem olhar para trás, e jurar acreditar que nós não fomos feitos um para o outro. Vou continuar buscando saídas e respostas, pois toda essa confusão ainda é melhor do que a dolorida plenitude da verdade. Vou acreditar nas minhas mentiras, com a mesma facilidade da qual acreditei nas suas.
Para não sentir dor, Adeus.