Entre o preto-e-branco
E eu, que vivo no cinza, no mínimo tinha que por em letras a vida dessa mulher. Quem sabe talvez essa história não vá colorir a fração de hora que terei para escreve-la?
Tu, criatura miserável, nunca serás feliz. Nunca, nem por um segundo, me fizestes respirar e pensar no futuro. És uma doença, uma úlcera que vai se alastrando, mesmo que relute. Eu me trato, me vingo, fujo de ti, de mim, mas tu não me largas, me consome. Uma obsessão, um vício. Não tens um dom, só és útil na cama. Me cega aos princípios, às leis, ao direito, ao limite, me tira o controle e me lança ao impossível. Faz-me pulsar vida, ousar, diferenciar no meio desses humanos alienados. Por que eu? Quero ser medíocre, deixe-me em paz. Só mais um no meio da boiada, imploro. Ela se vira e carrega o peso da sua alma podre por entre as ruas daquela cidadezinha semideserta, perambulando pelas vielas de paralelepípedo. Olhos cansados, a idade já a atingira. Só queria dar cores àquela gente cinza e suja de passos minúsculos. Vermes hipócritas. Na esquina avista uma menininha mal vestida, com os pés no chão e trapos rasgados, lhe sorri. Era como se a semente esperança depois de algumas várias regadas diárias começasse a render alguns frutos. Deu-lhe a mão e um pedaço de pão. Era pequena e de tão magrinha as saboneteiras saltavam, devia ter entre os 7, 8 anos. Acolheu-a e passou a se empenhar no que melhor sabias fazer: ser mãe.
O amarelo me fará companhia esta noite.
nao sei a quem se referes , mas realmente a maternidade é algo inexplicavelmente transformador, apesar de sacrificante.
o texto “a carta” é otimo tbm,vou dar uma olhada nos outros ,pelo jeito tem um arquivo de qualidade aqui.
parabens pelo blog.tinha que ser traduzido em outras linguas…