Wednesday, November 21, 2007

Sem volta

Antes mesmo que eu me ajoelhe e te emplore que não seja a última vez, sempre vai-te embora. E eu sempre morro de medo que não voltes, ainda que de fato não haja volta nem para o que se foi há um instante. Nada volta, nem mesmo o desejo do que ainda virá. Então deixe partir, deixe ruir, deixe que a vida leve os restos de nós, ainda que vivos, pulsantes e cinza. Antes secos que desbotados, inchados de repúdio e dor. Fiquemos com a melancolia, com a lembrança emoldurada dos nossos retratos não tirados, com o sonho de um dia suspirar no teu ombro e não ter motivos para duvidar do teu silêncio. Mas nem mesmo sonhos voltam. E se é melhor cultivar esta pedra no peito que viver cega, sem pernas e braços, impotente diante do teu fardo que me trai sem trair, que me fere e me pune por não tolerar o imoralmente tolerado, serei rocha de diamante. Porque por mais que eu me derreta é impossível respirar nesse teu mundo líquido. É preciso voltar ao início, ao meu estado sólido, e caminhar sobre minhas certezas alienadas…Mas nada volta.

Posted by ESCLEROSES at 18:49:21
Comments

One Response to “Sem volta”

  1. eu says:

    essa e pra ele ou pra mulher dele?!
    praticamente todos os textos variam ou nele ou nela…
    espera , mas espera paciente , porque pode demorar.
    adoro esse blog!!!

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