Perdida
Como uma agulha no meio do palheiro. Daquelas bem fininhas, que, de tão velhas, já quase não reluzem. Minha vida anda morna assim mesmo. Busco uma pessoa que não existe e tento encontra-la sempre, seja na fila pra pagar o almoço, no ônibus ou no elevador. É só olhar pra mim que eu já traço um perfil, imagino qual seria o restaurante preferido dele, se ele aceitaria ter 2 filhos e me amar até que a morte nos separe. Tá confirmado, eu fiquei louca. Lembra das migalhas que os ex-eternos-pseudo-apaixonados faziam questão de me empanturrar? Hoje me dão náuseas.
Eu fiquei 2 anos ensaiando um Adeus lindo e dramático, digno de filme Hollywoodiano, para todas as minhas paixões, e me esqueci que sem elas, os sonhos se perdem e a gente acaba se perdendo também. No cafuné da mãe, nas lágrimas numa comédia romântica, nas fotos, no apego à nostalgia e nas esperanças com um moreno 1.80 de voz grossa.
O Adeus saiu despretensioso, enquanto eu o planejava. Foi sensato e imprescindível para um próximo passo. Quando se é uma agulha no meio do palheiro, as pessoas desistem de te procurar. E logo, se não se quer viver ali convivendo com as palhas o resto da vida, é preciso procurar um jeito de sair, por menos eloqüente que este seja.
Então eu me perco em devaneios e faço você se perder nesse texto sem pé, nem cabeça. Meio triste, meio feliz, meio aliviado. Perdido em palavras e sentimentos. Com vida própria. E é assim que eu me acho..
Sempre foi assim.
seria uma troca secreta de momentos e/ou pensamentos? qualquer que seja, esse texto “sem pé, nem cabeça. Meio triste, meio feliz, meio aliviado. Perdido em palavras e sentimentos. Com vida própria” em que me perdi, está lindo e vestiu muito bem em mim também.
adorei!
você(s) escreve(m) muito!
beijos